Consciência negra e racismo: educação é a saída


A história do Brasil é uma história de Genocídios:  o Genocídio das populações originárias, renomeada indígena. Estima-se que os portugueses encontraram nestas terras mais de 1.000 povos que perfaziam de dois a seis milhões de pessoas.

O Genocídio negro, através de um regime de escravidão que durou 388 anos e que custou o sequestro e o assassinato de cerca de 7 milhões de seres humanos africanos e outros tantos milhões de seus descendentes.

O Genocídio negro e o indígena continuam, caracterizados hoje pela ação do Estado e de seus governos através da violência dirigida às poucas comunidades indígenas e quilombolas e ao povo negro das cidades, ambos barbaramente vitimados pela ação policial, bem como pela negação de direitos sociais e de oportunidades, cristalizadas a partir da abolição da escravidão.

É preciso admitir: Temos no currículo, infelizmente, um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos.

20 de Novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. É o momento de celebrar a memória Zumbi dos Palmares e Dandara, herói e heroína do povo brasileiro. Mas acima de tudo é um dia de reflexão e busca de novas formas para enfrentar a triste herança de tanta violência e opressão: o racismo.


Neste mês de Novembro, é preciso destacar e reafirmar a atuação que escolhemos e acreditamos ser a mais eficiente maneira de combater o racismo e tudo que cerca e alimenta na mentalidade coletiva a naturalização da violência e as injustiças dirigidas ao povo negro brasileiro: a Educação Popular.


Por Douglas Belchior

EDUCAÇÃO REFORÇA A DESIGUALDADE ENTRE NEGROS E BRANCOS


No Brasil, brancos frequentam escola por mais tempo, enquanto pretos e pardos têm acesso a escolas de pior qualidade.

Quando se trata de educação, a desigualdade entre negros e brancos ainda é grande no Brasil. Segundo dados organizados pelo movimento Todos pela Educação e divulgados nesta sexta-feira (18/11), os brancos concentram os melhores indicadores e são a parcela da população que frequenta a escola por mais tempo.

A falta de oferta de uma educação de qualidade é o que aumenta esta desigualdade, aponta o estudo divulgado dois dias antes do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

O estudo leva em consideração os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considera como negro os cidadãos que se declaram pretos ou pardos.

De acordo com o levantamento, a taxa de analfabetismo é de 11,2% entre os pretos, 11,1% entre os pardos, e 5% entre os brancos.

Até os 14 anos de idade, as taxas de frequência escolar não variam muito entre as populações. No entanto, a partir dos 15 anos as diferenças se destacam: enquanto, entre os brancos, 70,7% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão no ensino médio, entre os pretos e pardos este número cai para 50,5% e 55,3%, respectivamente.

No terceiro ano do ensino médio, a diferença é ainda maior a partir da análise da aprendizagem dos conteúdos. Segundo o estudo, 38% dos brancos; 21% dos pardos; e 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em Língua Portuguesa. Em matemática, 15,1 % dos brancos; 5,8% dos pardos e 4,3% dos pretos têm o aprendizado adequado.

POLÍTICA ESPECÍFICA

Em entrevista à Agência Brasil, presidente executiva do momento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, afirma que os estudantes mais vulneráveis são os que têm acesso a escolas com piores infraestrutura e ensino.

"A chance de um filho de pais analfabetos continuar analfabeto é muito grande, e isso é mais forte na população negra. Então, se a gente tem uma dívida histórica com a população negra, não basta só ter direitos iguais, não adianta a gente só dar direitos iguais a negros e pardos, a gente tem que ter políticas específicas na educação básica", afirmou.

Para a presidente do movimento, é preciso dar as melhores escolas para a população negra e parda. "Porque ela só vai conseguir romper o ciclo de exclusão e pobreza em que estão presas há gerações com política pública específica. Não adianta ter diploma, é a qualidade que vai importar. Para conseguir qualidade, o estado tem que dar muito mais para a população historicamente excluída."

INDICADORES DE DESIGUALDADE

Os negros são a maioria da população brasileira – 52,9% –, segundo dados do IBGE de 2014. Apesar de ser maioria, essa parcela da população ganha menos da média do país, que é de 1.012,25 reais. A média de renda familiar per capita é de 753,69 reais entre os pretos, e 729,50 reais, entre os pardos. Os brancos têm renda média de 1.334,30 reais.

Outros dados também apontam desigualdade. Entre os desempregados, os negros (7,5%) e pardos (6,8%) são a maioria – brancos (5,1%). O trabalho infantil também é maior entre pardos (7,6%) e pretos (6,5%) que entre brancos (5,4%).

Por Deutsche Welle
Fonte: cartacapital.com.br

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